Psicologia na dança


"Quem dança, seus males espanta"

A psicologia da dança é a área científica e de atuação da psicologia no contexto da dança. Procura compreender a relação entre a dança e a saúde mental, e os efeitos nas pessoas que a praticam. Ao estudar a dança, os bailarinos, as instituições e os efeitos da dança, o psicólogo insere-se em escolas e companhias de dança com o objetivo de melhorar o desempenho e bem-estar dos bailarinos e desenvolver projetos de saúde.

A psicologia da dança não se foca apenas nos efeitos da dança nos bailarinos, mas trabalha também com aspectos cognitivos, emocionais, comportamentais ou psicológicos, preocupando-se com todos os envolvidos na área.

Algumas pessoas relataram as vantagens da entrada no mundo da dança – "estar mais desperto, perda da timidez, melhor posicionamento perante os outros, sentir­-se com mais atividade e mais feliz, sentir-se importante como pessoa, fortalecimento de autoconfiança", ampliação do conhecimento; modificação na relação com as pessoas e modificações do aspecto artístico.


A partir de várias entrevistas, dois grupos foram investigados: um grupo de mulheres adultas que sofreram de abuso sexual e um grupo de jovens bailarinos.


O estudo com mulheres adultas que sofreram abuso sexual procurou compreender os efeitos da dança nestas situações. A utilização do corpo como forma de expressão de si próprias foi um dos aspetos positivos relatados pelas participantes. O sair do processo mental e de fala e usar o movimento como alternativa em direção à cura e como forma de se reconectar com seus corpos também foi relatado como positivo. As pesquisas concluem que o trabalho exclusivamente verbal da psicoterapia pode não ser suficiente para abordar as questões emocionais e psicológicas de um indivíduo. Integrar práticas que consideram o corpo como ferramenta, pode ajudar vários pacientes na redução do stresse e no desenvolvimento de um maior senso de conexão entre mente e corpo.


No segundo grupo, de jovens bailarinos, constatou-se que a maioria dos sujeitos sofria com transtornos alimentares. Muitos participantes apresentaram comportamentos compensatórios e de purgação muito semelhantes aos sujeitos que sofrem com essas perturbações.

Os estudos apresentados ilustram os interesses da psicologia da dança.


Benefícios psicológicos da dança:

  • Desenvolvimento da criatividade: Quando permitimos que nosso corpo flua com a música, fazemos o cérebro trabalhar livremente. Peter Lovatt, diretor do Laboratório de Psicologia de Dança da Universidade de Hertfordshire, realizou um estudo no qual afirmou que a dança ajudava o cérebro a gerar novas rotas de pensamento e novos circuitos neurais.


  • Melhora o humor e a autoestima: Quando dançamos, o nosso cérebro liberta dopamina e serotonina, substâncias que permitem a libertação do stresse e produzem felicidade.


  • Desacelera o envelhecimento do cérebro: Um estudo realizado por M. Joe Verghese (2003) demonstrou que a dança favorece as sinapses neurais, alenta a perda de volume do hipocampo (coisa que ocorre naturalmente com a idade), e protege o cérebro a longo prazo. Este autor comprovou em outro de seus estudos que a dança estimula o sistema nervoso central e a atividade cerebral.


Sendo bailarina, posso afirmar que a psicologia tem um papel muito importante na dança. A constante pressão para se chegar à perfeição não é fácil de lidar, resultando no surgimento de vários distúrbios mentais e lesões físicas. Por isso é que é tão importante a intervenção da psicologia nestes meios, de modo a promover o equilíbrio entre a mente e o corpo.

Data: 10 de dezembro de 2024

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